27 de dezembro de 2009
She's got a ticket to ride
Nas vezes que viajei, me desligei de tudo o que deixei pra trás. Nelas eu busco ficar acordada e disposta o máximo de tempo possível durante os dias, e mesmo acabada, não há motivos para descanso. Cada minuto é precioso, e dependendo o país, vale algumas vezes mais que o Real! O que já é motivo suficiente pra carregar muito bem as pilhas antes de qualquer coisa, não é não?
Dessa última vez fiquei apreensiva por ir sozinha a países que nao falavam nem português, nem inglês. Lógico que eu estava enganada! O Brasil é um dos poucos lugares que o povo não nasceu falando inglês, de resto.. .todo mundo nasce! Engraçado, né? Em Roma conheci uma australiana, e estávamos falando sobre isso, em todas as viagens ela não encontrou problemas quanto a língua. Procurávamos a Fontana di Trevi e estávamos perdidas com o mapa na mão, e na nossa frente se aproximava uma senhora de uns 50 anos, preconceituosamente, arranhei meu pobre italiano para buscar informações... e não é que a senhora responde em inglês? Um inglês italiano, mas melhor que o meu inglês brasileiro.
Por falar em brasileiro, viajar pra fora é bom pois te faz ver o Brasil de fora, e reconhecer o puta país que a gente vive. Lula é o cara aqui fora, pelas coisas que ele faz aí dentro, e tolos somos nós que não reconhecemos isso ainda. O nosso povo, sem dúvida, tem um Quê a mais que eu ainda não sei definir. Tem calor, tem sorriso, sabe tocar sem ofender, sabe acolher como colo de mãe, sabe atuar como uma grande mistura de tudo que há no mundo. As festas brasileiras não existem igual, a liberdade dos jovens também não. Por exemplo nos Estados Unidos, onde só é permitido beber e sair a noite depois dos 21, só se encontra bebês com quase 30 anos na cara enchendo a cara como um pré-adolescente num primeiro porre. O brasileiro tem experiências a mais, muito mais malandragem, muito menos seriedade.
Mas aqui fora a gente vê como eram necessárias as aulas de história e de inglês (vontade de voltar no tempo, Jesus). A gente vê também, quando viaja, que o mundo é muito mais do que a gente imagina quando olha na TV, que sair da rotina é viciante, e que entender o que somos, de onde viemos e o que buscamos, resolve uma pá de problemas pessoais. Viajar é terapia!
Outra coisa, falei em carregar pilhas anteriormente e não posso deixar escapar: leve os adaptadores de tomada do Brasil, cada país a tomada é diferente, e não é fácil de achar depois nas lojas aqui (pois é!). Outra dica: se for andar de trem, pergunte pela tarifa mais barata (regionais) e NUNCA, jamais, esqueça de timbrar o bilhete antes de entrar no trem, que é enfiar a ponta do bilhete numa maquininha amarela que tem em cada estação, caso contrário, paga multa cara. Na frança eles não falam inglês por pura pirraça, mas não desista, sempre há um bom samaritano! E eles, ao brindar, olham nos olhos, e se não for dessa forma, é falta de respeito. Na Itália, em muitos restaurantes, eles cobram por você sentar na mesa, não sei quantos porcentos... não é muita coisa, mas faz diferença. Prefira o capuccino em pé.
Logo eu volto ao Brasil, e em uma semana estarei novamente adaptada a tudo, e pior, agora sem 1 puto pra ir em qualquer esquina, imagine pisar num avião. Mas de coração espero ter ainda outras sensações semelhantes a essa, e também espero que todo mundo, um dia, crie oportunidades para experimentar isso, pelo menos uma vez, e compreender do que falei aqui e que são para momentos assim que a vida vale.
Ciao!
15 de março de 2009
"abstrai, abstrai..."
Quando o julgamento alheio me fez mais uma vítima, fui buscar entender que errar é humano, persistir é burrice, e julgar antes de querer entender é ignorância.
Marcelinha, minha velha amiga, uma vez me soltou essa de “ nao entendemos os motivos que levaram o fulano a fazer isso, mas com certeza ele tinha suas razões que não nos cabe julgar.” O assunto em questão acabou na hora, nao há dúvida. Ela não sabia que a partir dali eu ruminaria aquelas palavras até elas funcionarem no meu piloto-automático.
Eu nao tenho muito mais a falar desse assunto, não preciso entrar nos detalhes da minha vida e apontar os juízes que fizeram dela um pouquinho mais amarga, mas fica a dica: o mundo tá sempre girando.
19 de dezembro de 2008
Faz-me rir
Agora estou aqui e, de todos os planos, soh o emprego e o salario estao de peh. Thanks god!
Voltar com verdinhas pra casa, na verdade, eh algo muito bom e que te faz sorrir para os clientes. E esse inicio do vicio por dinheiro vem me fazendo refletir sobre o real valor das coisas. Nao que eu nunca tenha pensado neles, mas eh aqui lembrar disso eh mais dificil, sendo que boa parte se trabalha pelo dinheiro, na outra parte se descansa para depois fazer mais dinheiro, e nas horas vagas se usufrui dele.
Agora tambem entendo quando minha mae dizia para eu nao virar escrava do dinheiro, como se um pedaco verde de papel fosse me fazer deixar de ser quem eu sou! E nao eh que a mae tava certa? Soh pra variar, o que ela me aconselha geralmente cai como uma luva quando eu menos espero. Mas entao, voltando ao foco, o dinheiro faz coisas, e planejar demais eh tao perigoso quanto! Mantem uma significante distancia entre as coisas realmente importantes e a ilusao... Mas esta eh tao mais prazerosa, que na inocencia ou na ganancia, fiquei com ela. Nao recomendo mais nao. A vida eh tao boa que nao vale a pena perder um minuto dela em qualquer sonho que possa passar por cima do que eh verdadeiro e indispensavel a felicidade!
Carencia ao extremo, saudades do calor humano brasileiro, do abraco apertado do meu pai, de gastar tempo com amigos e perder noites em bebedeiras.
O sonho ainda continua, com uma pitada de frustracao, mas ainda a felicidade eh grande por concluir uma meta, e por querer ir ateh o fim com ela. Mas a partir daqui passo a repensar meus novos planos.
23 de outubro de 2008
são só saudades.
Quando a cabeça só se ocupa com a rotina, uma noite de sono e bons sonhos é só mais uma parte dessa rotina. Acorda, lava a cara, escolhe a roupa, e bora lá pra mais um capítulo normal de qualquer dia normal. Já não tenho mais notícias de onde foi parar as minhas coisas normais, a rotininha gostosa de não ter e não querer ter o que fazer, de não ambicionar mais do que se pode alcançar, de não se queixar das curtas 24 horas.
Minha cama sente minha falta, eu sei. Ela sente falta da leveza dos antigos pensamentos, das lágrimas por alguém, e até de ter mais alguém sobre ela. Nos breves momentos em que estamos juntas ela só faz se queixar da minha brincadeira de virar gente grande, com mais problemas do que soluções, mais tarefa do que horas no relógio.
Porém mesmo aparentando o fim de um relacionamento duradouro, me conforta a sensação de te ter me esperando todos os dias, como nada e ninguém jamais poderia fazer por mim. Sinto tua falta também, pequena... Mas a vida segue, e a menina que acalentaste há 20 e tantos anos (sim, é a mesma cama ainda!) não vive mais só de acalentos. Que venham as noites de terça e de sábado, os compromissos da semana, e os nossos tão esperados reencontros ao fim dessas.
25 de julho de 2008
O farsante
Já parou para pensar no punhado de bons momentos que ele te faz esquecer? E os amigos?! Ainda se lembra deles? Das festas que faziam, os sonhos que construíam juntos, e as promessas de amizade eterna? Eu sei, não precisa se culpar por ter esquecido. A culpa não é sua, nunca foi. É o Tempo e a sua graaande vassoura que varre tudo de real e agradável que possa lhe acontecer, e deixa no lugar algumas marquinhas de memórias para não pensares que ele é assim tão mau. Perceba, Babizinha, a eternidade que foi para esquecer aqueles maus momentos, e ainda você não se sente à vontade para dizer que a dor passou. Sim, pois são nessas horas que o Senhor Tempo resolve descansar! Alega que esses problemas lhe ensinarão alguma coisa, e pelo o que vi aqui, você bem que andou acreditando nisso, não é? Besteira menina! Pura maldade!
É por isso que cortei relações com esse farsante. Não espero mais os seus favores. Simplesmente corro atrás. Os antigos amigos? Apesar da destruição que foi a passagem dele entre nós, consegui restabelecer alguns laços, e ando cuidando muito mais e melhor dos novos. Até uns lendários amores que estavam lá no fundo do baú, dá pra acreditar? E os problemas? Bem, lógico que é difícil se livrar, mas eu procuro resolvê-los o quanto antes, ou então, me proíbo em esquentar a cabeça com eles. Se resolve? Digo que tudo é questão de hábito.
Pois é, minha amiga, de tanto assistir a ilusão que é sua vida ao esperar pelo Tempo, que me senti obrigada a vir aqui e fazer você pensar que é melhor tirar a bunda do sofá e fazer tudo com suas próprias mãos. Apesar de ele exercer para sempre sua influência nas nossas vidas, acredito que dispensar um pouco de seus serviços é uma boa coisa a se fazer.
Prometa que vai refletir sobre isso?
14 de julho de 2008
Quando pensas que morreu...
Hoje foi um dia em que problemas antigos ressurgiram para mim me chamando para o duelo. E minha reação foi como a de qualquer outra pessoa que se vê sendo obrigada a lutar: Injustiça! Logo eu?!
Nessas curtas horas de revolta contra o mundo, parei para pensar se havia alguma necessidade daquele obstáculo se fazer presente novamente. E não é que havia?
É importante termos noção das nossas fraquezas e a nossa força diante de determinadas situações, onde normalmente é mais fácil fazer cara feia para as dificuldades, bater no peito e dizer que nada poderá nos derrubar, fingir uma soberania inexistente como arma de defesa contra qualquer situação, coisa ou pessoa, ou simplesmente ignorar os fatos quando esses não nos agradam.
Quando minha razão dava sinais de abandonar o lar e a arrogância de quem se julga superior aos problemas começava a tomar conta, resolvi despir a fantasia de vítima, que era na verdade o que eu buscava ser, e fui trás de compreender a importância que era para eu passar mais uma vez pelo mesmo perrengue.
Cheguei a conclusão de que o problema só queria de mim a mudança. Ele voltaria cada vez mais forte se eu não lhe desse a palavra de que agiria com sabedoria numa próxima batalha. Armada com a humildade de quem admite ter dificuldades e de quem sofre, mas continua a fazer a roda girar, sequei as lágrimas e segui em frente, dessa vez sem a habitual armadura, mas preparada para o que de pior pudesse vir a acontecer, e me ensinar, conseqüentemente.
2 de julho de 2008
E a culpa é de quem? - 2
E é aí que eu vejo como pouco me conheço: Já há alguns dias descobri ali sentado, encolhido num canto, o macho que mora
Mas e aí, alguma vez você, menina, já desejou ser menino? Na infância, como aquele sonho absurdo de ser freira ou paquita da Xuxa, já imaginou alguma vez no benefício de ser do sexo oposto? Aposto que já.
Há poucos dias, conversando com meu pai, confessei a ele a vontade de ter nascido homem e me ver distante das bizarrices femininas: menstruação, depilação, salto agulha, gravidez, ser comida e não comer, ter filho 1 vez por ano quando o homem pode ter 365, ter coceira e não poder coçar, entre diversas outras esquisitices, enfim.
Nasci em tempos moderninhos, onde ser menina tem lá suas vantagens e é até bonitinho, cheira bem, tem o lance da moda também e uma vasta gama de opções excêntricas para esse mundinho complicado das mulheres. Mas perceba o quanto a classe feminina já penou para chegar onde está, onde o homem esteve o tempo todo! E você pode até não desejar a masculinidade, mas como eu, se pega admirando a facilidade que é viver sendo do sexo masculino.
Não é querer espalhar idéias lesbianas, mesmo por que gosto da fruta, e ir contra a minha natureza deve dar dez vezes mais trabalho do que se conformar com a idéia de que mulheres só se dão mal.
Querendo ou não, a culpa das fatalidades típicas femininas não poderia ser de mais alguém se não nossas, obviamente. Um exemplo clássico: Parece uma praga, mas por que diabos toda mulher sonha com véu e grinalda? Casa, filhos e um marido fiel? É o exemplo clássico da condição superficial que a mulher gosta de ocupar. Quando o conto de fadas tão idealizado não se concretiza é fácil encontrar mulher-bomba culpando o mundo por seus sofrimentos! Onde está escrito sobre a monogamia, vestido branco e família feliz? Bíblia? Ela precisa de atualização. Os tempos são outros, os princípios eram bons, concordo, mas para ser feliz nos dias de hoje é fundamental se adaptar a realidade. E ela nem é tão dura assim, vai.
Por que não simplifiquemos as coisas? Menina ou menino, vamos abrir o jogo com o nosso eu, deixar ele se manifestar e realizar seus caprichos mais sujos! Vamos esquecer as diferenças de sexo e os dogmas criados nessas diferenças, vamos ser nós mesmos independente que sexo isso possa ter. (Faça o que eu digo, não faça o que eu faço.)
É que me cansam tantas cerimônias, papéis a cumprir, tantas vontades contidas e crianças vestindo rosa.
Critico, sou chata e por vezes revoltada com a minha condição sexual e o peso que isso tem nas relações. Porém, em confissão, devo admitir achar lindo ser Mulher – a gatinha, a guerreira e a fodona que habita em cada uma, que consegue dar conta de tudo e mais um pouco, e faz bem feito. Ser mulher é poético, soa bem, além de grandes responsabilidades que já vêm embutidas e nos confere características esquisitas, mas únicas. Agora, acho que ser mulherzinha é que não cabe mais nos dias de hoje, e há certas regrinhas bobas que deveriam parar de serem alimentadas para a felicidade geral de ambos os sexos.
Finalizo naquela pagação básica: Palmas aos invejados e livres homens! Mas com a natureza a favor, fica tudo muito mais fácil, né? E o problema é todo nosso, pra variar.
20 de junho de 2008
Os encostos
O fato é que nascemos sem nada, nenhuma muda de roupa, amigos, ex-namorados, sentimentos, nada mesmo. Nascemos crus e prontos para o molde. Deve haver alguma razão fortíssima para nascermos assim tão a gente mesmo. Inúmeras são as razões que nos fazem perder a singularidade que tínhamos no nascimento e passarmos a depender das coisas e das pessoas para viver. E quem inventou essa de chegarmos aqui sem nada caiu em contradição ao inventar o vínculo materno já nas primeiras horas nesse mundo, sendo que por um bom tempo nossas vidas dependeriam inteiramente da boa-vontade de nossas mães. Whatever, o que quero falar mesmo são sobre os encostos que inventamos para as nossas vidas. Pecinhas fundamentais para não perdemos o equilíbrio entre a sociedade seletiva e julgadora na qual adoramos fazer parte.
Num conflito pessoal, tenho me questionado sobre o que realmente é fundamental para sermos completos, o que não nos deve faltar para que continuemos a levar uma vida feliz. E o que é dispensável, fútil, supérfluo. Ao analisar as pessoas do meu atual e antigo convívio, pude tirar belos exemplos dessa necessidade a qual todos compartilham, sem exceções, de se encostar em algo para poder, sei lá, se auto-afirmar, ou pelo menos criar uma certa estabilidade emocional.
A tomar como exemplo as relações amorosas: Quantas pessoas você conhece que costumam emendar um namoro em seguida de outro? Tudo muito sério, tudo muito forte. É até engraçado que seja tão simples assim para alguns amar como se não houvesse o amanhã, e criam novos amores com a velocidade da luz. É rápido por que é simples encarregar alguém de nos amar do que talvez levar uma vida para entendermos como fazer isso sozinhos. É melhor ter alguém para nos achar linda(o), sexy, inteligente, do que termos que lembrar todo dia isso ao olhar o espelho, ter alguém para ir ao cinema para dividir a pipoca, para achar graça das nossas histórias quando até mesmo nós não achamos mais, alguém para dizer que nos ama e se preocupa conosco, que tire de nossas costas a responsabilidade de sermos auto-suficientes, que divida as nossas vidas, e decida por nós as decisões que seriam só nossas. O tamanho do nosso amor-próprio é diretamente proporcional a qualidade das nossas relações amorosas. Esse tipo de encosto parece ser grave, pois não percebemos que é isso que procuramos quando bate a carência. É natural que quando perdemos um desse tipo ficamos com a sensação de um braço amputado.
Quando, porém, a metade da laranja não se interessa pela árdua tarefa de preencher uma vaga, decidimos partir para outra, ou então, decidimos enfim que amar a si próprio é a solução. Tudo parece estar bem. Em um segundo de lucidez se visualiza uma vida confortável e feliz sem ninguém. Mas aí que, sem querer, a responsabilidade é desviada para outras coisas. O “se amar” pode agora ser medido pela imagem, a conta bancária ou a inteligência que reconhecemos ter quando já não temos ninguém.
Observe também que o final de um namoro deixa a pessoa bonita. Ela compra roupas novas, muda o cabelo, entra para a academia, troca o carro. A falta de alguém também faz coisas, porém isso já é outra conversa.
Ter um encosto para “evitar a queda” é um vício socialmente compreensível, mas como todos os outros, desnecessário, bem como as máscaras e personagens que criamos para uso próprio, acumulando maneiras de esconder nossa originalidade e fraquezas.
Aliás, são estas que nos ensinam a caminhar por esses largos caminhos de mentirinhas, tão fáceis de andar, mas que não levam a lugar algum.
Enfim, eu poderia ficar aqui até amanhã nessa vã filosofia, mas cansei. Já passou da meia-noite e amanhã cedo tenho estágio.
Mas concluindo, na verdade eu acho mesmo que quem inventou essa de nascermos sem nada sabia o que estava fazendo, e faz bem pensar sobre isso.
(18/06/08)
4 de junho de 2008
O primeiro parto
O que é a natureza, né? O homem leva anos para estudar e construir uma máquina que seja útil e perfeita. O nosso corpo cria máquinas perfeitas na maioria das vezes sem planejarmos, quanto menos estudar pro negócio acontecer. Nove meses, só nove meses, e sai uma coisinha cheia de dedinhos... perfeitos.
E como aquele buraco vira nisso?! Como sai uma cabeça dali, e dentro de algumas horas parece que nada aconteceu? Típico “lavou tá nova”. Pelo menos por fora, gente.
Podem tentar provar, mas para mim, não tem nada mais perfeito que uma gestação, e nada mais estranho que um parto, nem a mais absurda ficção científica foi capaz de imaginar tamanha bizarrice de “fazer brotar uma gente” pelo meio das pernas, assim, super simples e natural.
Só depois de participar dessa ocasião é que entendi a naturalidade do negócio (que eu não conseguia imaginar), o quão sensacional é parir, e quantas bobagens criaram em cima disso e como é difícil de mudar. Só vendo para entender o que é e como é.
Como experiência de vida? Assista um parto, dois. Faz bem pra alma.
31 de maio de 2008
Morte ao sapatênis

Dispensando a piadinha de teenager acima, falar sobre sexo masculino é prazeroso (não só falar, mas enfim...) Falar bem, falar mal, mas falar. Na tentativa de entendê-los? Quem sabe.
Uma amiga dizia essa semana sobre o estilo masculino: Roupas, hábitos, sapatos. Ah, os sapatos! Muitas concordam em um aspecto: Homem tem que saber escolher os sapatos. Mulheres escolhem homens pelos pés, isso deve estar provado em algum lugar, por alguma pessoa mais empenhada que eu em pensar nisso.
Uma mulher olha para um homem e se existe alguma atração, o próximo passo é olhar para o pé. E a atração acaba no segundo em que se avista uma chuteira Topper.
Conversando com essa amiga, chegamos a conclusão de que homem feio não existe. Existe o sapatênis, a chuteira, a jaqueta do corinthias, o gorro de lã azul-marinho embolotado de herança do avô. Existe ainda a jaqueta de couro e o gel no cabelo, o jeans rasgado e o sapato social, cabelo arrepiado, moicano, ou penteado para o lado. Mas homem feio? Definitivamente, para tudo tem jeito. Um belo traje perdoa muita coisa.
Acredito que os homens também pensem dessa maneira sobre nós, talvez sem tanto afinco, mas a questão é que não estou mentindo, tampouco exagerando. Tornar pública essa opinião feminina tão preconceituosa é arriscado, mas necessário.
Homens têm (nunca vou conseguir tirar o circunflexo de ti, têm!) que saber disso, parar de se perguntarem onde erram com as mulheres, e estas precisam informá-los dos erros de estilo que eles comentem, sem pena ou esperança de existir um tênis decente em seus armários.
Procurando no Google uma imagem para pôr aqui, achei isso... O que vem provar que esse julgamento não é só meu, e nem de meia dúzia de amigas minhas. Fazendo um parêntese desse blog, concordo em número e gênero com o desnecessário uso de sunga e regata.
Opinião generalizada a minha? Generalizo o meu mundinho, obviamente. O resto que não se enquadra nisso que percam tempo, como eu, e defendam seus interesses.
22 de maio de 2008
Eu sonho, tu sonhas, quem realiza?
E quanto aos meus, posso lembrar que há uns tempos atrás meu maior sonho era ser mocinha. Poder enfim usar o salto alto e batom. Ah, que idéia de liberdade isso me causava!
Aí, quando enfim alcancei a maioridade para isso, o batom se tornou algo cafona, fora o complexo que era, para mim, enfeitar aquilo que chamavam de bocão da Royal. Continuei a achar o salto lindo, mas percebi o quão fora de questão ele é nessa minha vida de andar a pé.
Teve um tempo em que meu destino era ser atriz e definir isto como um sonho era uma afronta! O plano era simples: começaria como Paquita, e logo me colocariam na Malhação. Estava tudo esquematizado, não havia porquê ser tratado como um sonho!
Entre os outros milhares que essa cabecinha um dia já criou, o mais absurdo, motivo de longos comentários durante essa conversa, foi supor, um dia, que aos 25 eu estaria casada e com um filho. Bom, caso levasse isso a sério, na idade em que me encontro, eu deveria estar seriamente preocupada com a minha atual situação civil e financeira. Como um dia poderia imaginar que 25 anos não é algo inatingível e que ao se aproximar dessa idade eu permaneço a mesma de alguns anos atrás? Alguma coisa deveria ter mudado na minha vida, e ao mesmo tempo em que é espantosa a velocidade em que o mundo gira, certas coisas continuam a caminhar a passos de formiga, e quando percebo, os 25 já começam a raiar na minha janela e ainda não tive tempo para muita coisa.
O forró, um por exemplo. Há exatos dois anos inventei a vontade de aprender a dançar. Há exatos 2 anos que não mexi um dedo para isso acontecer. Forró permanece ainda na lista dos sonhos, sem data prevista para sua estréia no meu mundo real.
Outra coisa é a fotografia. Um dia ainda compro minha máquina profissional, daquelas pesadonas com uma lente enorme, e saio fotografando tudo por aí, puro e simplesmente por hobbie.
E as viagens? A medida que eu sinto que já conheci alguns dos destinos que um dia eu sonhei em conhecer, surgem outros, infinitos outros, que talvez eu precise de mais uma vida para conhecer tudo.
Tem a casa no campo também, com direito a lago, vacas, galinhas, e quiçá macacos. As floreiras na janela, o barulhinho dos passarinhos, a brisa gostosa na varanda, e o calor do fogão a lenha numa noite fria.
Engraçado que antigamente a profissão até tinha sua parcela nessa lista não tão extensa, o problema talvez seja em imaginar eu saindo da minha isolada casa no campo e me dirigir a cidade mais próxima a fim de trabalhar, de fazer plantões e não poder mais dar milho as minhas galinhas e água as plantinhas.
Encontro problemas também em imaginar como farei para viver em dois lugares ao mesmo tempo, pois além da casa no meio do nada, quero outra, toda envidraçada, na beira do mar de algum paraíso não tão distante daqui.
E veja só, não desaprendi ainda a criar sonhos impossíveis. Ou melhor, não desaprendi a deixar de tê-los como impossíveis. O tamanho do desejo para mim equivale ao abismo que nos separa. Estou só sendo realista, apesar de não querer ser. Nesse mundo complicado, uma casa no campo pode não ser tão bom quanto parece ser. Uma casa cheia de vidros na beira do mar requer limpeza quase que diária desses. Para conhecer o mundo, além do dinheiro, é necessário tempo, que provavelmente estarei ocupando ao tentar produzir dinheiro!
Hoje só queria lembrar o motivo que me fez desistir da idéia de ser atriz.
aff, desculpem pela ausência de crase, parágrafos, etc. Tudo culpa do layout do blog e da gramática do meu teclado. =P
13 de maio de 2008
Fez-se os homens, fez-se a discórdia.
Conheciam-se há 9 anos, desde que foram contratados pela mesma rede de supermercados. Trabalhavam juntos, sozinhos, no setor de carnes.O engraçado de João e Tereza é que apesar de passarem 8 horas por dia juntos, dividirem as mesmas tarefas e se conhecerem a tanto tempo, os dois não se suportavam. Mas isso não era explícito. Ninguém sabia. João sabia e Tereza sabia. Mas cada um não sabia do outro. Nem pretendiam desabafar o desagrado, ambos dividiam, sem saber, a mesma opinião: brigas não levam a nada.
João era loiro, magro, sardento, olhos azuis. Tereza, morena, cabelos cacheados, pelo marcada pela acne, com um temperamento difícil ao comparar com o sereno João. Tereza dizia não gostar de João, pois ela não gostava de pessoas sem atitudes, que sempre ouvem tudo e não dizem nada, além de ter nojo de sardas. João já não conseguia mais tolerar Tereza por esta adorar a intromissão na vida alheia, e ele recriminar essa prática.
Tereza costumava sair 15 minutos mais cedo todos os dias, a desculpa era que precisava chegar em casa a tempo de se despedir do pai, que trabalhava como guarda noturno, caso contrário, nunca poderia ver o pai devido ao choque de horários. Na verdade o pai de Tereza já se aposentara há 3 anos e não, ele não fazia bicos como guarda a noite. Tereza saia mais cedo afim de não precisar voltar no mesmo ônibus que João, e assim, ter uma noite mais alegre a ter que remoer seu descontentamento com o colega de trabalho. João adorava voltar sem a companhia de Tereza, nem que para isso fosse necessário ficar mais 2 horas no trabalho.
Tudo se conservava tranqüilo, os dois no limite da tolerância, já sem nenhuma expectativa na mudança do colega, ou seja, na parte mais triste de qualquer relação. Quando então o improvável aconteceu: João e Tereza brigaram. Dizem que a briga foi digna de platéia, que mais 5 minutos os dois se esbofeteariam ali mesmo, em meio as coxas e sobre-coxas de gado.
A briga por anos evitada resultou na demissão dois, que uma semana depois já estavam a se falar novamente e a lamentar o ocorrido. Gargalhavam ao relembrar o motivo da briga e assim fizeram-se melhores amigos. Depois de 5 meses noivaram. Hoje, casados há 3 anos, Tereza espera o primeiro filho. Abriram um açougue (certamente não seria uma papelaria!), compraram um carro, e as brigas continuaram, mas elas sempre terminam... Bem, vocês sabem aonde.
Quis fazer um texto tolo para dizer que brigar na expectativa de mudança é necessário. Infeliz é a atitude de não apostar no outro por existir alguma divergência servindo como muro a separar o que seria melhor ficar junto. Brigar é necessário? Até certo ponto. Eu não tenho mais dúvidas!
Boa semana, companheiros e companheiras =)
5 de maio de 2008
E a culpa é de quem?
Vou começar pelo orgulho. O ferido, principalmente. Não há amizade homem-mulher que resista a um fora, e isso se deve a eles, claro. Podem ficar anos na amizade com aquela sonhada donzela. Bastou um não, ela vira vagabunda. Perdão, talvez tenha me expressado de forma exagerada, mas foi na intenção de dizer que contrariá-los é arriscado, a bela afinidade se transforma em nada. Um nome a mais na lista do MSN. Nem preciso dizer que é aí que se vê quem é quem, certo?
Amiga mulher? Só sendo feia, e muito feia! Nesse ponto até concordo, a seletividade masculina é de se orgulhar. Eles não têm pena, não ligam para inteligência, não enumeram qualidades a se procurar no sexo oposto. Eles procuram o sexo oposto e deu, simples assim.
Eles não cresceram ouvindo historinhas de sapos que viram príncipe, para no futuro sair catando qualquer perereca na rua achando que viraria princesa. Para nós, a necessidade era tanta que um sapo foi o suficiente. Para eles, a Cindelera sem o sapatinho de cristal e a abóbora encantanda seria uma reles faxineira. Sem falar que ainda tinham mais duas afins, caso não desse certo com a Cinderela.
Vamos culpar alguém, então? Walt Disney? Até deveria! Mas vamos assumir a culpa, meninas. Pena é coisa de galinha, meu pai já dizia. O negócio é parar com esse instinto maternal de querer acalentar qualquer marmanjo com olhar de cachorro abandonado. O corpo, nessas horas, é só uma arma de caça. Não to incentivando a mulherada a sair tocando o terror nããoo. É saber usar a arma, a experiência, o instinto e aproveitar quando convém.
Homens, um mal necessário, graças a Deus! Só que falta qualidade no mercado, isso é fato. Acabamos supervalorizando o que não tem valor algum. Depois a gente chora quando o defeito aparece e estraga a brincadeira. É preciso ter olho, alguma experiência, como já disse, e alguns dias de choro para aprender a escolher direito...ou um pouco melhor.
Homem não perdoa, home cobra, homem exige, homem esquece quando quer, e facilmente acabam conseguindo tudo o que querem numa mulher sendo eles mesmos.
O que falar mais?
Palmas aos homens então, minha gente!
28 de abril de 2008
Ressaca Moral
Como parte de um conjunto, sinto-me, como muitos, envolvida numa tradição que há pouco considerava essencial, e hoje, desprezo. A tradição de não levar a vida tão a sério, e comemorar a juventude enchendo a cara, usando o álcool como instrumento que se usa para se socializar, ou pior, para fazer aquilo que em sã consciência não se imaginar fazer.
22 anos e sinto que parte desse tempo foi para o lixo,assim como o juízo, que hoje tento recuperar.
Claro, é tolice minha culpar a bebida e a tradição. A culpa é de quem? BINGO.
Hoje, degustando meu rotineiro capuccino, fiquei a pensar por que cargas d’água isso acontece se no outro dia o arrependimento é certeiro. O mesmo episódio volta a acontecer em outro momento, com a mesma dor de cabeça, e alguns personagens novos. E em meio ao calor da hora, provocado pelo capuccino quente, cheguei a conclusão de que a mudança só acontece de verdade quando a necessidade dela é inevitável. Não adianta tentar de outra maneira. Não adianta que os outros falem e tentem aconselhar, a mudança se faz presente somente quando a água bate na bunda, mesmo.
Hoje ela bateu, junto com a dor de cabeça, enjôo e sonolência. A última provocada por um noite em claro ajudando a amiga em situação pior. Fora a máquina perdida e o óculos quebrado, sabe se lá onde e como!
Nessa segunda-feira chuvosa só me pergunto a razão de tudo isso, e como voltar no tempo com a minha cabeça de hoje, e apagar para sempre o dia de ontem, e tantos outros desperdiçados com a mesma besteira.
Talvez esse meu pouco tempo de juventude já tenha me ensinado bastante, e talvez meus (maus)exemplos sirvam para outras pessoas, algum dia. Coisa que não acredito. Como disse antes, não adianta falar nem citar exemplos. Mas caso eu pudesse aconselhar, acreditando que isso funcionaria, eu diria: Não queime seu tempo canalizando suas energias para uma droga, para a euforia momentânea que ela provoca, quando essa ânsia de viver poderia ser usada para coisas realmente úteis, para todos. Não digo que ela não seja necessária, para mim ela foi. Ela serviu para eu aprender que ela não serve pra nada.
Infelizmente essa ressaca não se cura com glicose e água. Não há remédios. Talvez uma tentativa de reparar os danos e colocar algumas coisas em seus devidos lugares novamente. E sempre é válido uma tentativa de ressarcimento, isso é um conselho que não nego em dar.
Buenas noches, caríssimos.
24 de abril de 2008
Antes eles do que eu
Essa pode ser talvez uma desculpa para a minha fraqueza de não conseguir me vincular à algo ou alguém que não me interessa, mesmo que isso me traga recompensas. E no fundo, me orgulho um pouco do fato de ser assim, de preferir a liberdade ao sabor de recompensas de tarefas árduas. Há, claro, tarefas e tarefas. Antes o sacrifício pela tarefa que gere algum prazer, do que a falta de sacrifício por algo indiferente.
Claro que é necessário alguém se submeter por aí à compromissos extremamente chatos, o que seria do mundo sem essas nobres almas? Mas eu não quero me incluir nisso mais não, obrigada!
